A CorpOralidade Brincante e PoÉtica da Amazônia como tecnologia de EducAção para a Sustentabilidade
(por Maria Esperança Alves e Déa Melo)
À convite do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade/ICMBio, uma autarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, Mana-Maní compartilha a tecnologia “Danças Circulares da Amazônia” com os gestores das Unidades de Conservação da Biodiversidade Brasileira, reunidos em treinamento – Curso de Gestão Participativa, que acontece no período de 18 a 26/novembro/2010, na Academia Nacional de Biodiversidade do Instituto Chico Mendes/ACADEBio, localizada na Flona Floresta Nacional de Ipanema/Iperó-SP.
A abordagem e tecnologia Danças Circulares da Amazônia, desenvolvida por arte-educadoras da Ong paraense Mana-Maní, em parceria com Mestres de Cultura, a partir de 2002, integra as danças tradicionais das culturas populares da Amazônia com recursos contemporâneos e emergentes de educação, comunicação e terapia, numa abordagem transdisciplinar, tendo aplicação nas diversas áreas e com um público abrangente.
Desenvolvida de forma pioneira em vários espaços comunitários, como praças, barracões e escolas do Pará – no interior e na capital, e gerando uma sensível e ampla repercussão junto aos públicos participantes, a tecnologia tem inspirado outras ações que reconhecem, valorizam e geram visibilidade à cultura popular e seus respectivos protagonistas: é o caso da Campanha Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro/Santarém-Novo, que nasce em Dez/2005 dentro do FestRimbó, evento em que Mana-Maní inspirou e focalizou as 04 primeiras edições do Encontro de Mestres do Carimbó; e Iniciativa Maria Pretinha/Quatipuru, que surge a partir de uma oficina de Danças da Amazônia, em outubro/2005.
Em 2010, esta iniciativa é selecionada pelo concurso-edital Pontos de Cultura, numa parceria MinC/Secult-PA, focalizando e ampliando a formação de multiplicadores por um período de 03 anos. Sessenta aluno/as, originários da área metropolitana de Belém, e alguns municípios do estado do Pará, como Floresta do Araguaia, Curionópolis, Tomé-Açu e Castanhal, integram a I turma do Curso Livre Danças Circulares da Amazônia – em processo de desenvolvimento, com o terceiro módulo acontecendo ainda este ano, nos dias 03 a 05 de Dezembro, em Belém – Instituto de Artes do Pará.
No contexto do Curso Gestão Participativa, da ACADEBio, as focalizadoras Maria Esperança Alves e Patrícia Ferraz terão 04hs no dia 25/novembro, para apresentar-compartilhar esta proposta-tecnologia junto aos gestores das Áreas de Proteção Ambiental do Brasil, revelando as danças tradicionais amazônidas, bem como, as brasileiras de uma forma geral, como um privilegiado instrumento lúdico e poético de educação e comunicação para a sustentabilidade em comunidades tradicionais brasileiras; estimulando atitudes locais e cotidianas, conscientes e comprometidas com a promoção e preservação da diversidade biocultural na Amazônia e no Planeta.
Muito além da espetacularização, esta abordagem transdisciplinar focaliza a “CorpOralidade Brincante e PoÉtica” das tradições culturais amazônidas como diferentes linguagens simbólicas de Valores, Saberes e Fazeres que preservam a Vida-Natureza, dentro e fora de nós… qualidades absolutamente universais e necessárias para uma vida sustentável num mundo que hoje passa por uma crise paradigmática de valores que afetam desde o pessoal até o planetário. Projetos e ações que contemplam tão somente a dimensão social como caminho para a sustentabilidade não estão mais surtindo os efeitos desejados. Chegamos ao Século XXI com a urgente necessidade de estimular as múltiplas inteligências humanas e convidá-las a encontrar caminhos e atitudes criativas para a insustentabilidade da vida que se impõe e se agrava a cada dia. E Mana-Maní tem contribuído efetivamente na construção de um novo paradigma que avança do social para o cultural.
A Amazônia, mais especificamente o Pará, tem sido território propício para o lançamento de fecundas sementes, capazes de enraizar esse novo paradigma. Em 2009, no contexto do Fórum Social Mundial, em Belém/PA, construímos um Termo de Referência de Cultura que coloca a cultura, as linguagens humanas, as artes no seu devido lugar – o da reflexão, o da ação e da transformação que queremos e precisamos. Não mais a cultura apenas como diversão ou entretenimento.
Em Julho de 2010, colaboramos na realização do I Forum Mundial de Cultura e Educação, durante o VII Congresso Mundial de Arteducação da IDEA (Assoc Internacional de Drama Teatro/Educação), que coloca em prática essa abordagem inserindo mestres populares na universidade, trocando saberes com os mestres da academia. E neste Novembro de 2010, no V Forum Social Pan-Amazônico, que acontece em Santarém de 25 a 29, abraçamos as linguagens artísticas, como metodologia que deve permear todas as discussões incluindo por exemplo cantos, danças, histórias e tradições culturais, que afinal revelam com eloqüência, que são essas expressões que ainda resistem vivas é que mantêm de fato a Amazônia como o último recanto da maior biodiversidade planetária.
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